O
ser humano precisa desapegar-se dos elos infantis de dependência que os liga
aos pais. Não é tarefa simples, a ser iniciada com uma repentina resolução,
concretizada numa grande explosão de liberdade, ou num “desentendimento” com os
pais. É uma questão de demorada e difícil evolução para novos planos de
integração – evolução significando não um processo automático, e sim reeducação,
descoberta de novas ideias, tomada de decisões conscientes e uma boa vontade constante
para enfrentar lutas ocasionais ou frequentes. Quem se submete a psicoterapia
precisa muitas vezes investigar seus padrões durante várias sessões para
descobrir até que ponto está preso sem saber, e verificar que tal prisão existe
sob sua capacidade de amar, trabalhar, ou seguir uma vocação. Descobre então
que a luta para tornar-se uma pessoa independente provoca, na maioria das
vezes, considerável ansiedade e até mesmo um certo medo. Não é surpreendente
que os que lutem para romper tais cadeias passem por terríveis perturbações e
conflitos emocionais. Em essência, o conflito é deixar um local protegido e
familiar por uma nova independência, sair do apoio para o isolamento
temporário, sentindo-se ao mesmo tempo impotente e ansioso. A luta assume um caráter
grave quando a pessoa já conseguiu evoluir em estágios anteriores; assim, os
conflitos se avolumam e o eventual rompimento é mais traumático e radical.
A luta para tornar-se
uma pessoa independente ocorre no íntimo da própria pessoa. Ninguém pode evitar
de se colocar contra pais exploradores, ou às forças externas do ambiente, mas
a luta psicológica crucial que devemos empreender é contra as nossas
dependências, a ansiedade e os sentimentos de culpa surgem à medida que
evoluímos para a liberdade. O conflito básico dá-se entre aquela parte da
pessoa que procura evoluir, expandir-se e ser sadia, e a outra que anseia por
permanecer em nível imaturo, atada ao cordão umbilical psicológico e recebendo
a pseudoproteção e os mimos dos pais, em troca da independência.

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