segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Cortando o cordão umbilical



O ser humano precisa desapegar-se dos elos infantis de dependência que os liga aos pais. Não é tarefa simples, a ser iniciada com uma repentina resolução, concretizada numa grande explosão de liberdade, ou num “desentendimento” com os pais. É uma questão de demorada e difícil evolução para novos planos de integração – evolução significando não um processo automático, e sim reeducação, descoberta de novas ideias, tomada de decisões conscientes e uma boa vontade constante para enfrentar lutas ocasionais ou frequentes. Quem se submete a psicoterapia precisa muitas vezes investigar seus padrões durante várias sessões para descobrir até que ponto está preso sem saber, e verificar que tal prisão existe sob sua capacidade de amar, trabalhar, ou seguir uma vocação. Descobre então que a luta para tornar-se uma pessoa independente provoca, na maioria das vezes, considerável ansiedade e até mesmo um certo medo. Não é surpreendente que os que lutem para romper tais cadeias passem por terríveis perturbações e conflitos emocionais. Em essência, o conflito é deixar um local protegido e familiar por uma nova independência, sair do apoio para o isolamento temporário, sentindo-se ao mesmo tempo impotente e ansioso. A luta assume um caráter grave quando a pessoa já conseguiu evoluir em estágios anteriores; assim, os conflitos se avolumam e o eventual rompimento é mais traumático e radical.

A luta para tornar-se uma pessoa independente ocorre no íntimo da própria pessoa. Ninguém pode evitar de se colocar contra pais exploradores, ou às forças externas do ambiente, mas a luta psicológica crucial que devemos empreender é contra as nossas dependências, a ansiedade e os sentimentos de culpa surgem à medida que evoluímos para a liberdade. O conflito básico dá-se entre aquela parte da pessoa que procura evoluir, expandir-se e ser sadia, e a outra que anseia por permanecer em nível imaturo, atada ao cordão umbilical psicológico e recebendo a pseudoproteção e os mimos dos pais, em troca da independência.
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