Será possível vivermos sempre em equilíbrio? Como podemos atingir maiores níveis de serenidade no dia a dia?
Todos os dias somos confrontados. Ou porque encontramos o chefe mal disposto, ou porque a nossa mãe nos magoa sem se aperceber disso, ou o caso da amiga depressiva que nos liga sem querer saber se estamos ou não dispostos a ouvi-la. Ou os telejornais, os colegas de trabalho, o dia que nunca mais chega ao fim. São inúmeros os fatores que nos podem desestabilizar.
Aprender a olhar para dentro
O que acontece é que a maior parte do tempo vivemos em prol dos outros, das nossas responsabilidades e, sobretudo, procurando sucessivamente corresponder ao que esperam de nós. E pelo meio destes apelos constantes, vamos esquecendo de nós. Quase sem nos percebemos, vamos deixando que o cansaço tome conta de nós e, a partir daí, tudo se torna um esforço. Não é de espantar que comecemos a “descarregar” em cima de quem mais gostamos e que, aos poucos, percamos a consciência do que realmente se passa connosco. Quando ignoramos uma dor de dentes, há fortes possibilidades que ela evolua para um abscesso. E nessa altura, a cara fica tão inchada que perdemos a noção de onde tudo começou. É preciso ir à origem onde o caos se instalou. É preciso ir bem fundo dentro de nós e compreendermos onde deixamos de nos ouvir. Onde nos deixamos para trás. Esse exato ponto onde nos desviamos do nosso centro. Quando vivemos de acordo com a nossa alma, o esforço não existe. Isso não significa tornarmo-nos egoístas, mas sim suficientemente fortes e alinhados para que possamos corresponder às nossas responsabilidades mais penosas sem nos deixarmos arrastar por elas. Tudo começa no foco interior e termina numa atitude coerente. Olhando bem fundo dentro de nós, encontramos uma voz que quer ser ouvida. E é essa voz que será a nossa âncora diante dos desequilíbrios da vida. Não podemos fugir deles, mas também é com eles que crescemos e evoluímos.
Para termos acesso a este espaço sagrado, proponho que procurem um lugar confortável, respirem fundo e reflitam um pouco sobre alguns pontos fundamentais:
Cultivar a serenidade respondendo internamente a cinco perguntas.
• Quem sou eu?
O que gosto, o que não gosto. O que vai contra os meus valores. O que adoro fazer. O que me enche de alegria. O que me cansa. Quais os meus ritmos internos. Onde me energizo. O que faço com a minha criatividade.
• Qual é o meu sonho?
O que desejo para mim. Visualizo-me nesse cenário desejável. Imagino todos os pormenores, sensações. Faço nascer em mim uma força criadora.
• Do que preciso desenvolver internamente para o conseguir?
Criado o sonho, vou agora construir os alicerces. Que características ou potencialidades preciso trabalhar em mim para o conseguir. Preciso ser mais ousado? Ponderado? Pró-ativo? Faça alguma coisa para desenvolver em si o que lhe falta.
• O que me tira a energia?
Este ponto é muito importante. Que tipo de companhia, lugar ou conversa me desvia da minha vontade de mudar. É importante sermos precisos para podermos atuar. Se a pessoa X me tira a energia, então ou vou evitá-la ou, não o podendo fazer, vou evitar colocar-me numa posição que me fragilize.
• Quem é que eu quero ser?
Recriando mentalmente quem quero ser, estarei quem definindo quem eu quero ao meu lado. Serei aquilo que quero atrair para mim.
Conclusão
Quando procuramos o equilíbrio na nossa vida, estamos consultando o nosso coração. Ele sabe o que precisamos atrair e evitar. O corpo acende um sinal amarelo quando está em esforço. E a nossa mente, diante destes sinais, terá de procurar a melhor forma de nos manter firmes diante dos obstáculos quotidianos. Uns dias estamos mais fortes, outros mais frágeis. Mais atrevidos ou tímidos. Corajosos ou medrosos. Mas procurando o nosso centro dia a dia, encontraremos as nossas âncoras. E compreenderemos bem no fundo que nunca, mas nunca mesmo, voltamos para trás.
Fonte: Sofia Martins – Revista Zen Energy, março 2014

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