Atualmente, o problema
fundamental do ser humano é o vazio. Isso não quer dizer que muita gente ignora o que quer, mas que,
frequentemente, também não tem uma ideia
clara dos sentimentos. Quando falam
sobre falta de autonomia, ou se lamentam sobre a incapacidade para tomar
decisões, fica claro que o verdadeiro problema é não ter uma experiência
definida dos próprios desejos e necessidades. Oscilam desse modo de um lado para outro se sentindo impotentes,
ocas e vazias.
Esse vazio, essa
incapacidade para saber o que sentem ou desejam são devidos ao fato de vivermos
numa época de incertezas. Essa sensação de vácuo não deve ser tomada no sentido
de que as pessoas são desprovidas de potencialidades. A sensação de vazio
provém, geralmente, da ideia de incapacidade para fazer algo de eficaz a
respeito da própria vida e do mundo. O vácuo interior é o resultado acumulado, em
longo prazo, da convicção pessoal de ser incapaz de agir, de dirigir a própria
vida, modificar a atitude das pessoas em relação a si mesmo, ou exercer influência
sobre o mundo que nos rodeia. Surge assim a profunda sensação de desespero e
futilidade que a tantos aflige hoje. A apatia e a falta de emoções são defesas contra
a ansiedade. Quando alguém continuamente defronta-se com um perigo que é
incapaz de vencer, sua linha final de defesa é evitar a sensação de perigo.
O grande perigo desta
situação de vácuo e impotência é conduzir, mais cedo ou mais tarde, à ansiedade
e ao desespero e finalmente, se não corrigida, ao desperdício e ao bloqueio das
mais preciosas qualidades do ser humano. Os
resultados finais serão a redução e o empobrecimento psicológico, ou então a
sujeição a uma autoridade destrutiva.

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